fevereiro 10, 2010

Viva Chico Science

Chico Science

Considerado um dos mais geniais alquimistas da música brasileira, Chico Science permanece vivo até hoje como um dos maiores fenômenos criativos da cultura pop.

Há 13 anos, o co-criador e responsável pelo movimento alternativo que revolucionou o mainstream nacional morreu em um estúpido acidente de carro na estrada que liga Recife a Olinda. Science nos deixou com apenas 30 anos de idade. Sua busca pelo beat perfeito ao lado da Nação Zumbi quebrou a tradicional oposição entre o regional e o cosmopolita tão presente na cultura brasileira e deixou um legado de influências admirável.

Nação Zumbi

A influência do trabalho deste “cabra” vai muito além da música. O mangue beat foi um movimento completo que além da mistura de ritmos como maracatu, rock, soul music e hip hop, envolveu também artes plásticas, literatura, moda, tecnologia e comportamento social.

No entanto, talvez o feito mais notável da breve carreira deste incrível artista foi ter atraído a atenção do resto do Brasil para a capital de Pernambuco, mostrando que havia muita coisa boa acontecendo culturalmente fora do eixo sudeste-sul. Chico Science contribuiu diretamente na formação da identidade da música contemporânea.

CSNZ

“Mede-se a importância de um artista pelos ecos de sua obra após a sua morte”. Chico foi um filho legítimo da modernidade e sua música irá continuar nos inspirando por mais muitos e muitos anos.

chico

“Modernizar o passado é uma revolução musical”

Francisco de Assis França – Chico Science (1966-1997)

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    ECOS DO MUNDO

    Chico Science olhou para um mangue
    e a biodiversidade o encantou,
    vidas sobre vidas vivendo,
    no meio do lama,
    viu nascer uma flor.
    Brotou forte ali a ideia
    de aquelas vidas exaltar
    de um modo que tudo dissesse
    da beleza que havia lá!
    Da terra que virou lama.
    Da lama que gera vidas.
    Há tantas vidas na lama…
    Ali a lama era vida!
    E um batuque se fez no compasso
    da rima da vida rasteira
    rasgando o que tinha na lama
    misturando a música estrangeira.
    Juntaram-se os ecos do mundo
    e esse som passou a gritar
    o som do silêncio da lama
    e da lama, pôs-se a cantar!
    Mas, do grito veio o silêncio
    de uma vida a se findar
    na divisa das duas cidades
    que tanto aprendera a amar.

    Suely Sousa
    Recife / PE

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