Samba, Rock, Funk, Sertanejo, Rap, Reggae, MPB… Definitivamente o Brasil é um país plural em se tratando de música. É som para agradar a todos. Ou quase isso. Se você gosta de pular e sacudir o esqueleto, tem música para você. Agora, se você prefere viajar escutando ou balançar a cabeça enquanto marca o compasso com os pés, também vai encontrar o som que é a sua cara. Nada mais justo em um país como o nosso, onde é possível encontrar todo tipo de gente ao longo dos nossos mais de 17 milhões de quilômetros quadrados.
Toda essa diversidade está retratada nas letras musicais desses diferentes estilos citados acima. Psicodelia, minimalismo, sarcasmo, sexualidade, trocadilhos e muita ousadia podem ser vistos, ou melhor, escutados nas vozes dos infinitos artistas tupiniquins. Uma verdadeira salada sonora. E por mais esdrúxula que uma letra possa soar, há quem consiga encontrar arte nela. Pelo menos é isso que uma galera da internet pensa. E prova.
O Já Sei Namorar (ou exaltatumblr) vem postando em seu diário online um monte de fotografias no mínimo interessantes. São verdadeiras obras artísticas acompanhadas de pequenos trechos do nosso cancioneiro. Pode acreditar: eles conseguiram encontrar poesia em letras de forró e axé. E nós aqui pensando que ouvir “lapada na rachada” era uma grande ofensa para os ouvidos alheios…
De tão inusitado, acaba que não temos muito o que falar sobre o site. Só mesmo vendo com os próprios olhos para entender. Então confira aí alguns exemplares dessa experiência que nós já consideramos um clássico:
E aí, o que achou? Diferente, mas com requintes de brilhantismo. Quer ver mais? Só clicar aqui.
Não é novidade para ninguém que o cinema brasileiro vem evoluindo a passos largos de um tempo pra cá. Atualmente, algumas de nossas produções conseguem bater de frente com badalados filmes gringos nas bilheterias. Sim, nas bilheterias, porque em se tratando de conteúdo, não deixamos a desejar há um tempinho. Desde a “retomada”, época que marca o retorno do cinema nacional à cena mundial, graças a incentivos de vários tipos, os realizadores passaram a levar a sério a sétima arte. E deu certo. “Central do Brasil”, “O Que É Isto, Companheiro?”, “O Quatrilho”, “Cidade de Deus”, “Lavoura Arcaica”, “Linha de Passe”, “Se Eu Fosse Você” e, claro, “Tropa de Elite” são exemplos mais do que evidentes da força do nosso cinema. O sucesso desse último foi tão grande que os frutos continuam brotando.
Primeiro, vale ressaltar que “Tropa de Elite 2” conseguiu bater todos os recordes de bilheteria no Brasil. Foram nada menos que 11 milhões de espectadores. Isso em uma época em que as salas de projeção precisam enfrentar adversários ardilosos, como a pirataria e a comodidade doméstica proporcionada por TVs de alta definição. Ainda vale ressaltar que, em 2010, “Tropa 2” só perdeu em público para o magnânimo “Avatar”, com toda sua parafernália tecnológica. Sim, em público, porque em conteúdo… Resumindo, foi um filmaço pra James Cameron nenhum botar defeito!
E a festa não para por aí! Nos últimos dias surgiu uma forte onda de rumores indicando que dois dos principais pilares da série de filmes sobre o BOPE estariam de malas prontas para Hollywood. Pra começar, o diretor dos dois filmes, José Padilha, estaria muito cotado para assumir o comando do remake da série Robocop. Agora imaginem o cara que fez as melhores cenas de ação da história do cinema nacional fazendo um filme sobre um policial robótico confrontando a bandidagem de Detroit? Não poderia ser melhor! Isso sem falar que Padilha também sabe dar um ótimo tom dramático a seus filmes, o que vai ser excelente no filme do Robocop. Agora é esperar por uma confirmação oficial.
A outra notícia é um pouco mais plausível que a anterior, tendo toda a pinta de verdade. O site “The Hollywood Reporter” publicou uma informação dando como certa a participação do ator Wagner Moura no filme “Elysium”, que será dirigido por Neill Blomkamp, do ótimo “Distrito 9”. Segundo o site, o Capitão Nascimento mudará de lado e desta vez interpretará um vilão descrito como “poderoso e com um senso de humor maluco”. O filme futurista e cheio de conflitos sociais também contará com Matt Damon, Jodie Foster e Sharlto Copley (protagonista de “Distrito 9”) no elenco. A novidade deve chegar aos cinemas em 2012.
UPDATE
Boa notícia: o próprio Wagner Moura confirmou ainda há pouco que realmente dará o ponta pé inicial em sua carreira internacional.
UPDATE
É sempre muito bom ver nossos compatriotas fazendo sucesso em terras estrangeiras. A torcida pelo sucesso dos filmes em que estão envolvidos acaba sendo bem grande. Agora nos resta esperar e ter certeza de que José Padilha e Wagner Moura se juntarão ao seleto time formado por Walter Salles, Fernando Meirelles, Alice e Sônia Braga, Rodrigo Santoro e outros poucos. Não que eles precisem ir para Hollywood para provar o talento que têm. É apenas um incentivo a mais…
Embora a Chico Rei faça parte de um mundo em que as informações correm na velocidade da luz, as referências englobam os mais variados assuntos e a tecnologia é mais que uma agregada às nossas vidas, todos sabemos que carregamos no nome – literalmente! – nossa raíz brazuca. Para quem nunca ouviu, ficou sabendo ou descobriu sem querer, Chico Rei foi um escravo dos primórdios da história de nossa amada Minas Gerais. É tradição que não acaba.
Assim, a gente sente o maior orgulho das nossas origens – e é com o maior prazer que mostramos o trailer do filme nacional Besouro.
“Quando Manoel Henrique Pereira nasceu, não havia nem dez anos que o Brasil tinha sido o último país do mundo a libertar seus escravos.
Naqueles tempos pós-abolição nossos negros continuavam tão alijados da sociedade que muitos deles ainda se questionavam se a liberdade tinha sido, de fato, um bom negócio. Afinal, antes de 1888 eles não eram cidadãos, mas tinham comida e casa para morar. Após a abolição, criou-se um imenso contingente de brasileiros livres, porém desempregados e sem-teto. A maioria sem preparo para trabalhar em outros serviços além daqueles mesmos que já realizavam na época da escravatura. E quase todos ainda sem a plena consciência de sua cidadania. O resultado desse quadro, principalmente nas regiões rurais, onde estavam os engenhos de açúcar e plantações de café, foi o surgimento de um grande contingente de negros libertos que continuavam, mesmo anos após a abolição, submetendo-se aos abusos e desmandos perpetrados por fazendeiros e senhores de engenho.
Vinte anos depois, Manoel já era muito mais conhecido na cidade como Besouro Mangangá – ou Besouro Cordão de Ouro -, um jovem forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que jogava capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como quase todos os negros de Santo Amaro na época, vivia em função das fazendas da região, trabalhando na roça de cana dos engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não tinha medo dos patrões. E foram justamente os atritos com seus empregadores – e posteriormente com a polícia – que deixaram Besouro conhecido e começaram a escrever a sua imortalidade na cultura negra brasileira.
Há poucos registros oficiais sobre sua trajetória, mas é de se supor que a postura pouco subserviente do capoeirista tenha sido interpretada pelas autoridades da época como uma verdadeira subversão. (…) Relatos de fugas espetaculares, muitas vezes inexplicáveis, deram origem a seu principal apelido: Mangangá é uma denominação regional para um tipo de besouro que produz uma dolorosa ferroada.
O capoeirista era, portanto, “aquele que batia e depois sumia”. E sumia como? Voando, diziam as pessoas…
Histórias como essas, verdadeiras ou não, foram aos poucos construindo a fama de Besouro. Que se tornou um mito – e um símbolo da luta pelo reconhecimento da cultura negra no Brasil – nos anos que se sucederam à sua morte.
Morte que ocorreu, também, num episódio cercado de controvérsias. Sabe-se que ele foi esfaqueado, após uma briga com empregados de uma fazenda. Registros policiais de Santo Amaro indicam que ele foi vítima de uma emboscada preparada pelo filho de um fazendeiro, de quem era desafeto. Já a lenda reza que Besouro só morreu porque foi atingido por uma faca de ticum, madeira nobre e dura, tida no universo das religiões afro-brasileiras como a única capaz de matar um homem de “corpo fechado”.
E Besouro, o mito, certamente era um desses.”
Capoeira é tradição. Capoeira também é Chico Rei. A estreia do filme Besouro está prevista para este mês. Estamos ansiosos! E vocês, gostaram?!