Vesti-la não é para qualquer um, até porque é muito difícil aguentar o peso de algo que representa mais de 190 milhões de pessoas. Porém, assim como a armadura de um gladiador, aqueles que portam essa camisa de forma digna recebem em troca a honra pelo resto da eternidade. Profundo isso, não? Nem tanto quando se trata do manto vestido pela Seleção Brasileira de Futebol. Apesar de vivermos numa nação extremamente futebolística, nem todo mundo ama ver 22 marmanjos (e marmanjas, ora bolas) correndo atrás de uma bola. Porém, uma coisa é certa: basta a seleção entrar em campo para todo bom brasileiro reunir a galera, vestir a amarelinha e entrar na torcida.
Mas essa história de “vestir a amarelinha” nem sempre foi assim. Para chegar até as cores que não cansamos de adorar, houve um longo percurso, recheado de muitas vitórias e poucas, mas tristes, frustrações (alguém ouviu Copa de 1950? 1998?). No clima da Copa América 2011, que estreia neste domingo, vamos relembrar as glórias de nossa seleção através das camisetas. Prepare a pipoca por aí vem história!
Começando pela primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. Nessa época, a seleção vestia uniforme branco, bastante simples, contrastando muito com o que estamos acostumados. E nem só o uniforme era diferente: o futebol também não era o mesmo, ainda não tinha a força e o nome que tem hoje, caindo na primeira fase da competição.

Nas duas edições seguintes, a seleção manteve o uniforme. E o desempenho foi ainda pior na Copa de 34, e o Brasil caiu mais uma vez na primeira fase, ficando em 14º na competição. Quatro anos depois, conquistamos o terceiro lugar, um avanço significativo. Depois de uma pausa de doze anos, por causa da Segunda Guerra Mundial, a Copa retornava e o Brasil abriu os braços para receber o evento pela primeira vez. O uniforme ainda era branco e azul, mas mostrava significativa evolução em relação às edições anteriores, sendo mais arrojado. O resultado da competição todo mundo lembra (e lamenta): o fomos derrotados pelo Uruguai em pleno Maracanã lotado, o fiasco ficou conhecido como “maracanazo”.

A partir da Copa de 54, na Suíça, a Seleção já trajava a camisa canarinho, com os conhecidos verde e amarelo. O uniforme reserva já era o azul com detalhes brancos. Na competição, o Brasil caiu diante da Hungria, do craque Puskas, sensação da época. Quatro anos depois, em 58, o primeiro triunfo em um Mundial: o Brasil de Garrincha ganhara da anfitriã Suécia. Embalados, ganhamos a Copa seguinte, em 1962. Alegria da torcida canarinho!

Saltando para a histórica Copa de 70, no México, nos deparamos com aquela que talvez seja a camisa mais marcante de nossa seleção. A amarelinha clássica (que aparece na foto com ninguém menos que o Velho Lobo Zagallo) ficou marcada para sempre na história do futebol. E não era pra menos! Pelé, Jairzinho, Capita… Era um timaço!

Doze anos depois, sofremos uma das maiores decepções quando o assunto é futebol. A Seleção de 1982 tinha tudo para ser campeã, mas por um capricho do destino, caiu diante da Itália. O uniforme já estava mais moderno, apesar de lembrar bastante o da Copa de 70.

Decepções à parte, a vingança veio 12 anos depois. O ano era 1994 e o palco, os Estados Unidos. A Seleção de Carlos Alberto Parreira, liderada pelo baixinho Romário, levantou o caneco e levou a torcida ao delírio. “Acabou! É tetra!” – quanta emoção! E o manto já apresentava muita diferença em relação a tudo o que já tinha sido visto antes. Desde o tecido até o design, aquele uniforme ficou marcado para sempre na memória de todo bom brasileiro.

Como nem só de vitórias é feito o futebol, sofremos três derrotas drásticas nas últimas quatro Copas do Mundo. Nas duas últimas, em 2006 e 2010, a Seleção não convenceu, caindo nas quartas-de-final diante da França e Holanda, respectivamente. Nenhuma derrota é agradável, mas na Copa de 98 a coisa foi feia. A Seleção vinha bem, tinha tudo para trazer a taça para cá, mas por um capricho do destino, perdemos por três a zero para a França de Zidane. As causas daquele “apagão” ainda são discutidas e a camisa usada ficará marcada para sempre em nossas cabeças, mesmo que negativamente.

Mas vencedores que somos, ainda teve o último Mundial que levamos. O título veio oito anos após seu antecessor, na Copa de 2002, com a família Scolari, liderada por Rivaldo e Ronaldo Fenômeno. Aquela competição foi marcada por muitos gols antológicos, como o do craque Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra. Lembrança das boas! A camisa era bem diferente de todas as anteriores, com detalhes laterais, dividindo opiniões. Hoje, quase dez anos depois, essa camisa é idolatrada por todos nós, brasileiros. Deu sorte, né?
Depois de revisitar toda essa história através do uniforme da Seleção, relembrar bons e maus momentos, deixamos uma última camisa para o final. Esta aqui ainda não carrega uma história, mas desde seu lançamento carrega consigo a esperança de mais uma era de títulos e glórias:

Nós também entramos no clima da Copa América e colocamos nosso time em campo para homenagear dois dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Pelé e Garrincha chegaram com fome de gol e botando a torcida para vestir a camisa, seja a tradicional canarinho ou a classuda azul.

Já tirou a vuvuzela do armário? Chamou a galera para engrossar o grito de gol? Então simbora que se depender da torcida essa taça já é nossa!
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