Desde sua realização, em 1969, empresários, produtores e artistas do mundo todo voltaram seus esforços para recriar o Festival de Woodstock. Muitos festivais tentaram unir grandes nomes da música com bandeiras de diversas causas, mas nenhum conseguiu chegar perto do “original”. Tampouco as duas versões de mesmo nome, realizadas na década de 90, que só serviram para denegrir o ideal pregado pelo velho Woodstock. O Brasil também entrou no circuito de cópias que não deram certo, com o Festival de Verão de Guarapari e o Festival de Águas Claras, realizados na década de 70. Fail total!
Em meados de 2010, rumores davam conta de que uma quarta edição de Woodstock aconteceria no Brasil, motivo suficiente para um misto de euforia e medo do que poderia surgir. Tempos depois, os boatos foram confirmados em partes: haveria sim um festival, mas não teria o nome e nem a responsabilidade de repetir aquele que foi marco do movimento da contracultura. Nascia, então, o SWU. Com a premissa de engrossar o time que batalha por um mundo melhor, reafirmada pelo próprio nome, uma sigla para o termo “Starts With You”, o festival teve sua primeira edição realizada na cidade de Itu, em São Paulo.
Neste ano, a cidade escolhida foi Paulínia, também no interior paulista, também com três dias de duração (de 12 a 14 de novembro), também com atrações que abraçavam do Rock ao Pop e também com espaço para discutir a situação do planeta. Saldo superficial dos festejos: o II Fórum Global de Sustentabilidade SWU reuniu nestes três dias 29 palestrantes nacionais e internacionais. Entre eles estiveram presentes os músicos Neil Young e Bob Geldof, idealizador do Live Aid, esse sim um festival de “recente” sucesso. O SWU contou com 73 atrações musicais, que se apresentaram em três palcos e numa tenda eletrônica. Entre os destaques, Peter Gabriel, Black Eyed Peas, Kanye West, Chris Cornell, Faith No More, Alice In Chains, Lynyrd Skynyrd e Megadeth, além de pouquíssimas atrações nacionais, como Raimundos, Ultraje a Rigor, Marcelo D2 e Zé Ramalho. O evento reuniu um público de 179 mil pessoas nos três dias. Ok, até aí tudo bem… Mas como foi?
Primeiro, é preciso dizer que a organização do SWU soube aprender com os erros, inclusive de outros festivais, como o Rock In Rio. As filas para entrar eram insignificantes, se comparadas com o concorrente. As praças de alimentação e a logística de compras, com fichas de valores diversos, funcionaram muito bem. Com toda a certeza, ninguém amargou horas de fome na fila por um sanduíche frio. O espaço físico era muito grande, até demais, fazendo o pessoal caminhar por um longo trecho, com direito a subida e tudo, até os palcos principais. Por outro lado, a grande área e um número “justo” de pessoas fez com que não houvesse muvucas.
O grande barato do festival foi, sem dúvidas, o clima: paz, sorrisos e descontração. Todos estavam ali com o mesmo pensamento, em busca de diversão. Não vale dizer que todos estavam ali abraçando a causa da sustentabilidade, mas ainda assim foi um ponto mais do que positivo. Ainda sobre sustentabilidade, é muito mais fácil passar o ideal na teoria do que na prática. Explico: é bonito pregar o uso exclusivo de copos descartáveis, mas por que usá-los ao mesmo tempo em que era feito o uso de, por exemplo, latinhas? Para beber uma cerveja, refrigerante ou água, a pessoa gastava o recipiente original e o copo. Além desse e outros exemplos, um dos palestrantes do Fórum chamou a atenção ao pregar um mundo onde os países pensem no meio-ambiente, onde o produto nacional seja valorizado. Ora bolas, soa um tanto confuso falar isso quando você está representando um país que sequer assinou o Protocolo de Kyoto, num evento onde a única cerveja disponível é de origem estrangeira. Peraê, galera! Bom, isso é papo pra outra hora…
Importante mesmo é saber que foram três dias de boa música, com atrações inéditas no Brasil (sem falar nas que andavam sumidas) e boa organização. Para uma segunda edição, o SWU está de parabéns e já deixa todos a postos para a edição de 2012, uma vez que já faz parte do calendário de grandes shows no Brasil. Agora é a vez de vocês, digam o que acharam!















