Antes de mais nada, é muito difícil começar a falar de um filme sem tentar compará-lo com os clássicos que lhe serviram como base. O primeiro “Planeta dos Macacos”, de 1968, virou obra cult. Charlton Heston estava muito bem como protagonista, a história de ficção-científica é cativante e o final, bem, o final vai além do que se pode chamar de sensacional. É, sem dúvidas, um dos melhores desfechos do cinema de todos os tempos. Logo depois, vieram quatro filmes extremamente dispensáveis. A franquia se transformou numa espécie de “Jogos Mortais”, com lançamentos anuais e tudo. Quase 30 anos depois, Tim Burton fez um remake do primeiro, o que foi totalmente desnecessário. Eis que agora, quarenta e tantos anos depois do original, um prequel da história chega às telonas, dirigido por Rupert Wyatt, e com James Franco, Freida Pinto (de “Quem Quer Ser Um Milionário?”) e Andy Serkis fazendo o que sabe melhor: servindo de “modelo” para CGI, assim como fez em “O Senhor dos Anéis”, como Gollum.
O filme tem James Franco no melhor que consegue fazer, o que pode não ser muito, mas, sinceramente, não foi exigido muito dele no papel de Will. Para falar a verdade, também é dispensável dizer qualquer coisa sobre os coadjuvantes: passaram despercebidos num filme em que não foram muito necessários. A grande estrela é César, o primeiro símio inteligente, um protagonista completamente transparente, fadado a um destino grandioso. De uma simpatia contagiante e algumas expressões dignas de Dexter Morgan, da série que leva seu nome. Um filme sobre macacos e para macacos, pois tenha certeza, no final do filme, você também estará torcendo pelo time dos nossos ancestrais inteligentes.
O enredo do filme é interessante. César é um macaco de laboratório (se ele me visse o chamando de macaco…) que, ainda na barriga da mãe, foi submetido a um vírus que deveria ser a cura para o Alzheimer. Porém, esse contato acaba acelerando seu nível de aprendizado e por fatos que não irei comentar aqui, vai morar na casa do cientista chefe da pesquisa, Will Rodman (James Franco), que tem um pai que sofre de Alzheimer. A história tem tudo para dar errado, mas te surpreendente. Um filme inteligente e com uma ótima narrativa. Por mais que seja um prelúdio dos próximos filmes (ou seriam anteriores?!), não tem aquela chatice de explicação de história, tudo flui muito bem.
Os efeitos especiais são um capítulo à parte. Os movimentos de César são emprestados por Andy Serkis, que é experiente em macaquices: ele também trabalhou em “King Kong” (não o clássico, o do Jack Black mesmo) e dá um show! Em alguns momentos, você realmente acredita que aquele é um chimpanzé de verdade. Acha que para por aí? Ainda não falei das expressões faciais do primata, que são de cortar o coração. Talvez pela inocência e pureza do personagem, ou ainda pela sua incapacidade de falar, cada expressão de seu rosto traduz exatamente o que ele sente.
O filme é todo bem amarrado, e a grande pergunta que fica na cabeça durante todo o seu desenrolar é se um bando de macacos irá conseguir dominar o mundo, e sinceramente, você não terá essa resposta ao final do filme. Quando vi os créditos subindo comecei a odiar o filme, do fundo do coração, porém de 30 a 40 segundos depois, eis que surgem novas cenas que limpam seu coração e, enfim, você vê que seus amigos macacos estão com a corda toda. Por isso, amigos, esperem um pouquinho, nada de sair levantando ao acabar o filme.
Economize a pipoca!













