agosto 7, 2011

1991 – O último grande ano do Rock?

Vez ou outra nos deparamos com comprovações nada sutis de que estamos ficando velhos. Aquela garotinha da novela que você assistia, veja só, já está crescida e posando para fotos sensuais com trajes mínimos. Os integrantes dos Backstreet Boys (não que você gostasse, claro…) estão beirando os 40 anos. A Punky, a levada da breca, tem 34 anos e dois filhos. Os Bananas de Pijama, aquelas coisas ridículas, foram criados em 1992. E por aí vai… Quer mais? Há exatos 20 anos, em 1991, o Nirvana lançava sua obra prima, o disco “Nevermind”. Opa, peraí! Agora pegou pesado, hein?!

Pois é, meus caros! Há duas décadas pudemos escutar pela primeira vez o riff de “Smells Like Teen Spirit” e afirmar com veemência que a introdução de “Come As You Are” era tocada no baixo, quebrando a cara logo depois. O fato é que “Nevermind” marcou época, entrou para história e hoje, 20 anos depois, ainda é lembrado como símbolo de uma era, mesmo não estando sozinho. O ano de 1991 foi um dos mais brilhantes na história da música, mais ainda em se tratando de Rock. Há exatas duas décadas fomos brindados com lançamentos grandiosos, que podem não ser tão lembrados quanto a obra prima da banda de Kurt Cobain, mas também têm muito valor, colocando 1991 como o último grande ano do Rock N’ Roll. Entraremos agora numa máquina do tempo rumo a um ano em que o Rock N’ Roll de qualidade mostrou sua força. Junte-se a nós!

Red Hot Chili Peppers – Blood Sugar Sex Magik

Falando sobre obras primas, nunca poderíamos deixar de lado o clássico “Blood Sugar Sex Magik”, do Red Hot Chili Peppers. Quinto álbum de estúdio da banda e um dos muitos produzidos por Rick Rubin, “BSSM” traz a banda em sua formação clássica, que não é a original, mas é a que mais (e melhor) fez. O disco projetou a banda ao patamar dos gigantes do Rock mundial e a pressão foi tanta que o guitarrista John Frusciante, então com 21 anos, deixou a banda no meio da turnê, em 1992, retomando o posto em 1999. Destacar uma ou duas músicas de “Blood Sugar Sex Magik” é dificílimo, então vamos apelar para a unanimidade: “Give It Away”, “Under The Bridge”, “Suck My Kiss”, “I Could Have Lied” e “Breaking The Girl” continuam com a mesma força de 20 anos atrás. Pedida certa em shows dos Chili Peppers, que vêm ao Brasil em setembro!

Pearl Jam – Ten

Na mesma Seattle de Cobain e companhia, surgia uma banda que fazia um som parecido, ajudando a elevar o nome do Grunge como principal estilo musical da década de 90. “Ten” foi o disco de estreia do Pearl Jam, banda mais do que consagrada hoje em dia e que vem ao Brasil no iníco de novembro deste ano. As sessões do álbum foram rápidas e duraram apenas um mês e, emboraTen” lide com temas sombrios, se tornou um dos maiores expoentes do Rock dos anos 90. A voz de forte e profunda de Eddie Vedder (muito imitada após o “boom” do Pearl Jam), as guitarras pesadas, o som Hard Rock e as influências musicais retiradas dos anos 70 marcaram época e hoje fazem parte da história por meio de canções fantásticas, como “Alive”, “Jeremy”, “Even Flow” e “Black”.

Metallica – Metallica (Black Album)

Depois do groove do Red Hot Chili Peppers e do grunge do Pearl Jam, agora é hora de heavy metal. E ninguém melhor que o Metallica para representar o estilo, né? “Metallica”, conhecido comoBlack Album, é o quinto álbum de estúdio da banda de James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e, na época, Jason Newsted. Foi o primeiro trabalho da banda em parceria com o produtor Bob Rock, eternamente criticado por “vender” o Metallica para o Pop. A verdade é que o “Black Album” apresenta um novo direcionamento no som dos caras. As pancadas de Trash Metal em alta velocidade ficaram um pouco de lado, dando lugar para um Rock N’ Roll pesado, sim, mas longe de ser Trash Metal de raiz (mas veja só que denominação estranha!). Trash ou não, temos aqui um dos melhores discos de Rock de todos os tempos: guitarras pesadas, solos nervosos, bateria e baixo na pressão e os vocais de Hetfield melhores do que nunca (vai dizer que não?). Hoje, depois de tantos anos (vinte!), músicas como “Enter Sandman”, “Nothing Else Matters”, “Sad But True” e “The Unforgiven” não precisam mais provar nada para ninguém. É Rock do bom, meus caros!

Guns N’ Roses – Use Your Illusion

Para fechar com chave de ouro, pulemos para outra vertente do bom e velho Rock N’ Roll. Aumente o volume porque aí vem Guns N’ Roses! E agora não estamos falando de um disco: são dois “Use Your Illusion”, lançados simultaneamente. Em 1991 o Guns estava no auge de sua carreira, mas já demonstrava algumas rachaduras na conturbada relação de Axl Rose e Slash. Os dois álbuns marcam grande evolução do grupo, que não abriu mão do Hard Rock de “Appettite For Destruction”, mas acrescentou outros elementos, como piano, gaitas, vocais de apoio etc, além de evidenciar mais do que nunca as influências de Blues, Country e outros estilos. As gravações dos “Illusions” não poderiam ser mais conturbadas. Os membros da banda vinham, cada um à sua maneira, se afundando em vícios. O guitarrista Izzy Stradlin já esboçava o desejo de abandonar o barco; Steven Adler não deixou outra saída para seus companheiros a não ser sua expulsão do grupo, sendo substituído pelo virtuoso Matt Sorum; em meio a esse turbilhão, as diferenças musicais (e pessoais) entre Slash e Axl ficavam cada vez mais evidentes, ao ponto de explodir, tal qual uma bomba relógio (o que veio a acontecer poucos anos depois). Apesar de todos os problemas, o Guns N’ Roses conseguiu lançar dois discos excelentes. “Use Your Illusion I”, de capa alaranjada, conta com cavalos de batalha como “Don’t Cry”, “November Rain” e o cover de Paul McCartney em “Live And Let Die”. Do outro lado, “Illusion II”, de capa exatamente igual, mas em cores azuis, traz “Knockin’ On Heaven’s Door”, “You Could Be Mine” e “Civil War”. Difícil escolher um dos dois como o melhor, bom mesmo é ter os dois e enxergá-los como uma coisa só.

Depois desta lista é possível perceber que a década de 90 não representou apenas a queda do Rock em detrimento do Pop encabeçado por boys band, no estilo Backstreet Boys e N’Sync, e cantoras como Shakira e Britney Spears. A “responsabilidade” de 1991 como último grande ano do Rock fica maior quando citamos outros grandes lançamentos: “Arise”, dos nossos compatriotas do Sepultura, “No More Tears”, grande disco de Ozzy com Zakk Wylde na guitarra, “Leisure”, disco de estreia dos britânicos do Blur e tantos outros que, assim como os já citados, entraram para a história. Boas bandas apareceram depois, outras nem tão boas, e o Rock continua a respirar, esperando por mais um grande ano. Com um ótimo primeiro semestre, 2011 tem potencial para tal. Resta esperar por mais lançamentos e torcer para que o Rock volte ao mainstream, lugar de onde nunca deveria ter saído.

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  • http://twitter.com/josejaymejr José Jayme S. F. Jr

    Acho que as grandes novidades do rock aconteceram até 1991 mas a decada de 90 foi muito rica: Off Spring, os rocks “animados” do smash mouth, o Sublime com o ska-core (e que teve o mesmo destino de kut cobain em 1996), sem falar com U2 que está na ativa e lançou coletaneas fantasticas. Acho que o ano que realmente o rock estacionou foi 1999 pos-Alanis Morissette. Depois disso, foi extremamente raro algo que realmente supreendesse (apenas o How to Dismantle an Atomic Bomb do U2 mas deles era de se esperar coisa boa). A primeira decada do seculo XXI realmente pode ser jogada no lixo e, com muito temor, creio que essa decada que se inicia está tendo o mesmo destino

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